Uma Silhouette Cameo corta uma folha de papercraft em poucos minutos, sem supervisão e com um traço mais limpo que o melhor estilete. Mas antes de clicar em Enviar é preciso responder a uma pergunta que quase ninguém faz: qual edição do Silhouette Studio está instalada no seu computador. É ela, e não o modelo da máquina, que decide qual arquivo você deve usar.
Esta página explica como sair de um modelo de papercraft e chegar a um arquivo que o Silhouette Studio corta, vinca e numera corretamente. É a contraparte do nosso guia Cricut: mesmos arquivos de partida, outro programa, outras armadilhas.
O que o Silhouette Studio espera de um arquivo
O Silhouette Studio não corta uma imagem, ele segue traçados vetoriais: linhas definidas por coordenadas. Uma folha de papercraft em PDF ou PNG é, para o programa, apenas um desenho a ser contornado à mão, com contornos aproximados que não vão fechar na montagem.
Depois disso o programa sabe dividir o trabalho: no painel Enviar, a opção Ação por linha (Cortar por cor de linha na versão 4 e anteriores) mostra uma tabela com todas as cores de linha do desenho e permite escolher para cada uma o material, a ação e a ferramenta. É exatamente o que um papercraft precisa: o contorno é cortado, as dobras são vincadas, os números são escritos. Boa notícia, essa opção existe já na edição Basic.
A pergunta que decide tudo: qual edição do Studio?
O Silhouette Studio é baixado de graça na edição Basic e liberado por licença em Designer, Designer Plus e Business. A documentação do fabricante é clara em um ponto: « O Silhouette Studio consegue abrir arquivos SVG a partir da edição Designer. » No Basic o SVG não entra. O DXF, por outro lado, abre sem nenhuma condição de edição.
Ou seja, o arquivo ideal para uma Cricut não é o arquivo ideal para uma Silhouette de entrada. Confira sua edição antes de tudo: no Studio ela aparece no canto inferior direito da janela e no menu Ajuda.
Qual edição do Silhouette Studio?
É ela, e não o modelo da máquina, que decide qual arquivo usar.
O SVG não abre no Basic. Abra direto o DXF exportado pelo Pepakura: ele abre em todas as edições e já chega separado em contornos, dobras de montanha e dobras de vale. Só uma coisa precisa de correção, o tamanho: imponha ao desenho uma largura lida no Pepakura, uma vez por modelo. A tabela Ação por linha está presente no Basic.
Abra o SVG entregue com o modelo: as cores já estão distribuídas por operação, não há o que vetorizar nem o que recolorir. Verifique apenas a escala na importação, um SVG é lido a 72 pontos por polegada. Nossos arquivos são escritos nessa unidade, então chegam no tamanho certo.
Abra o Silhouette Studio: a edição aparece no canto inferior direito da janela e no menu Ajuda. Teste ainda mais rápido: tente abrir um arquivo SVG. Se entrar, você está no Designer ou acima. Se for recusado, você está no Basic, e o seu arquivo é o DXF.
Fonte: documentação da Silhouette America, abertura de SVG a partir da edição Designer.
Os três arquivos de um kit, e o que interessa a você
- O PDF: a folha para imprimir. Feita para impressora e tesoura. O Studio Basic não o abre; as edições superiores abrem, mas tratam o arquivo como imagem de fundo, não como traçados.
- O SVG: o arquivo de corte colorido. Exige a edição Designer ou superior. É o melhor arquivo quando dá para usá-lo, porque as cores já separam as operações.
- O DXF: o molde vetorial exportado pelo Pepakura Designer. Abre em todas as edições, inclusive Basic. Separa contornos, dobras de montanha e dobras de vale em camadas distintas, mas chega sem escala. É seu único defeito, e tem conserto.
Studio Basic: seu arquivo é o DXF
No Basic o caminho é curto e não custa nada: abra direto o DXF exportado pelo Pepakura. Os traçados chegam já separados, não há contorno a refazer nem imagem a vetorizar. Apenas dois pontos de atenção, o tamanho e as cores, tratados nas duas seções seguintes.
Se o kit não tiver DXF e sim um arquivo .pdo, ele vem do Pepakura Designer: abra o .pdo e depois Arquivo > Exportar > DXF, uma folha por arquivo. O programa é gratuito para visualizar e pago para exportar.
O DXF perde o tamanho, e o motivo é este
Um DXF importado no Studio quase sempre chega na dimensão errada. Não é falha do programa: é o arquivo que não diz em que unidade foi escrito.
Abrimos as quinze folhas DXF de um dos nossos modelos de referência, exportadas pelo Pepakura Designer. O resultado é claro: formato AutoCAD R12, uma seção de cabeçalho reduzida apenas à versão do formato, nenhuma unidade declarada, nenhum comprimento de referência, nenhuma moldura de página. Três camadas (CutLine, MountainLine, ValleyLine) e 891 entidades, todas do mesmo tipo, segmentos de reta. O Studio não tem, portanto, nada para ler e adivinhar a escala: aplica a sua.
Colocar o DXF na escala certa
O método são três gestos, feitos uma vez por modelo e não por folha.
- Ajuste as preferências de importação. No Studio, Preferências > Importação > DXF, escolha Posição original para que as folhas se sobreponham no mesmo lugar de um arquivo para outro, em vez de cada uma ser recentralizada do seu jeito.
- Pegue uma medida de referência no Pepakura. Na folha aberta no Pepakura Designer, anote a largura de uma peça identificável ou, melhor, a largura total do molde que o programa exibe. Registre o valor em milímetros.
- Imponha a dimensão no Studio. Selecione todo o desenho importado, abra o painel Escala ou Transformar e digite a largura anotada. Todas as peças da mesma folha são redimensionadas juntas e mantêm as proporções. Confira uma segunda medida por amostragem: se bater, a folha está certa.
Uma pista útil: se todas as folhas de um mesmo modelo chegam com o mesmo fator de erro, corrija todas com o mesmo coeficiente. O erro vem da unidade padrão do Studio e é constante para uma mesma exportação.
Studio Designer: seu arquivo é o SVG colorido
A partir da edição Designer o SVG abre direto, com suas cores e portanto com as operações já separadas. É o caminho mais curto e mais seguro.
Se o kit trouxer só um SVG preto, ou se você partir do DXF, é preciso colorir os traçados antes. O passo a passo no Inkscape está detalhado no guia Cricut: é idêntico, só muda o destino. Um ponto que não pode passar batido no lado Silhouette: o que conta são as cores do contorno, não os preenchimentos. Deixe o preenchimento em nenhum e dê a cor ao traço.
A armadilha de escala 72 contra 96
O SVG tem sua própria armadilha, e é a mesma da Cricut. O formato não impõe resolução de referência: os programas de desenho escrevem em 96 pixels por polegada, o padrão web atual, enquanto o Silhouette Studio e o Design Space leem as unidades de um SVG como pontos, 72 por polegada. Um arquivo escrito sem cuidado chega, então, 1,333 vez maior, e precisa voltar a 75 %.
O teste leva dez segundos: importe uma forma cujo tamanho você conhece, leia a dimensão exibida, compare.
O teste de dez segundos
Importe a prancha, veja a largura que o Silhouette Studio mostra e compare com a esperada.
Uma cor, uma operação
Com o arquivo aberto no tamanho certo, tudo se resolve no painel Enviar, mudando para Ação por linha. O Studio lista então cada cor de traço presente no desenho, e cada linha da tabela recebe seu material, sua ação e sua ferramenta. Esta é a convenção que usamos nos nossos arquivos e o que atribuir a cada uma.
A tabela Ação por linha
| Cor da linha | O que é | Ação a escolher |
|---|---|---|
| Preto | contornos das peças e das abas de colagem | Cortar |
| Vermelho | dobras montanha: o vinco sai na sua direção | Meio corte ou relevo |
| Azul | dobras vale: o vinco entra para trás | Meio corte ou relevo |
| Laranja | número da peça, para copiar no verso antes da montagem | Caneta |
| Verde | números de borda: a aba 12 cola na borda 12 | Caneta |
| Rosa | um círculo em cada dobra vale, para reconhecê-la sem ler a cor | Caneta |
Vincar as dobras sem roda de vinco
As Cricut Maker têm uma roda de vinco dedicada. Na Silhouette a questão se coloca de outro jeito, e a resposta depende da máquina.
- Cameo 5 e Cameo 5 Plus: dois porta-ferramentas, o segundo até 5 kgf, e a ferramenta de relevo Tipo C é compatível. É a solução mais limpa para marcar uma dobra.
- Portrait 4: um único porta-ferramentas, sem segundo carro, e a ferramenta de relevo Tipo C não é compatível. As dobras são resolvidas de outra forma.
Sem ferramenta dedicada, dois métodos documentados funcionam em papel de 200 a 250 g. O meio corte: a mesma lâmina, com profundidade e força reduzidas, marca a fibra sem atravessar. O traço perfurado: a linha de dobra é cortada em pontilhado bem fechado, o papel dobra limpo e ainda segura. Nos dois casos o ajuste é encontrado em uma sobra, com o botão de corte de teste, antes de rodar a folha. O ajuste certo é aquele em que a folha dobra com a unha sem rasgar.
Qual máquina, qual largura, qual base de corte
Os números abaixo vêm da tabela comparativa oficial da Silhouette America. Eles importam porque uma folha de papercraft não dobra: se for mais larga que a área de corte, não passa.
| Máquina | Corte com base | Corte sem base | 2º porta-ferramentas |
|---|---|---|---|
| Portrait 4 | 21,6 × 30,5 cm | 21,8 cm × 1,37 m | Não |
| Cameo 5 | 30,5 × 61,0 cm | 29,5 cm × 4,88 m | Sim, 5 kgf |
| Cameo 5 Plus | 37,1 × 38,1 cm | 37,1 cm × 4,88 m | Sim, 5 kgf |
| Curio 2 | 30,5 × 30,5 cm | Não | Sim, 5 kgf |
A geração anterior continua muito comum e serve igualmente bem: Cameo 4 com 30,5 cm de largura de corte, Cameo 4 Plus com 38,1 cm, Cameo 4 Pro com 61 cm. Para papercraft a largura útil pesa mais que o comprimento: uma folha A4 cabe em todas essas máquinas, uma folha A3 exige uma Cameo Plus ou Pro.
Modelo texturizado: o caso Print & Cut
Quando as cores do modelo são impressas nas peças, já não se corta um traçado nu: imprime-se a folha e depois a máquina reencontra os contornos. Essa função, chamada Print & Cut, existe em todas as edições do Studio, Basic incluída.
O princípio: o Studio acrescenta marcas de registro nos cantos da página, a impressora entrega a folha, o sensor óptico da máquina relê essas marcas e realinha o corte. Daí vêm três restrições. As marcas ocupam uma faixa na borda, então a área útil é menor que a folha. O papel precisa ser fosco e claro, senão o sensor não lê. E a gramatura precisa caber no que sua impressora aceita, em geral 200 g num equipamento de escritório.
Papel, lâmina, ajustes
Para papercraft, o papel útil é de 200 a 250 g. Abaixo disso as peças empenam na montagem; acima, as dobras quebram e a impressora sofre. A lâmina automática Tipo B cobre toda essa faixa.
Três reflexos que evitam desperdiçar folha. Escolha o material Cardstock na lista, não um ajuste de papel fino. Faça sempre um corte de teste num canto da base antes da folha inteira. E troque a lâmina quando os cantos começarem a ficar presos: é o primeiro sintoma de lâmina gasta, muito antes de o traço ficar sujo.
A checklist antes de enviar
- Minha edição do Studio está identificada e uso o arquivo correspondente.
- A folha mostra uma dimensão conhecida e verificada, não um tamanho estimado a olho.
- O painel Enviar está em Ação por linha e cada cor tem sua ação.
- As ações de escrita e de vinco vêm antes do corte.
- O ajuste das dobras foi validado numa sobra, não direto na folha.
- A folha cabe na largura de corte da minha máquina.
- O papel é de 200 a 250 g, fosco, colocado bem plano na base.
Cricut ou Silhouette: o mesmo modelo, dois caminhos
As duas famílias de máquinas fazem o mesmo trabalho num papercraft e se distinguem sobretudo na forma como o arquivo entra. O Design Space aceita SVG e DXF sem licença extra, mas exige sua conta online. O Silhouette Studio trabalha offline e lê DXF em todas as edições, mas reserva o SVG à edição Designer.
Nos nossos arquivos a consequência é simples: o SVG que entregamos funciona como está na Cricut e na Silhouette Designer, e quem tem uma Silhouette Basic passa pelo DXF com o redimensionamento descrito acima. O guia Cricut detalha a parte do Inkscape, comum aos dois.
Perguntas frequentes
O Silhouette Studio Basic abre um SVG?
Não. A documentação da Silhouette America diz que abrir SVG exige a edição Designer ou superior. No Basic o arquivo não entra, nem renomeado. Use o DXF, que abre em todas as edições.
Preciso comprar a Designer Edition para fazer papercraft?
Não, não é obrigatório. O DXF do Pepakura basta e dá os mesmos cortes. A licença Designer economiza tempo se você emenda vários modelos, porque elimina a etapa de redimensionamento do DXF a cada kit novo.
Por que meu DXF chega no tamanho errado?
Porque ele não declara unidade nenhuma. Nos arquivos Pepakura que abrimos, o cabeçalho contém apenas a versão do formato: sem unidade, sem moldura de página, sem cota de referência. O Studio aplica então sua unidade padrão. A correção é impor uma largura conhecida ao desenho depois de importar.
Meu SVG chega 1,33 vez maior, o que faço?
Reduzir para 75 %. É a diferença entre os 96 pixels por polegada dos programas de desenho e os 72 pontos por polegada que o Studio e o Design Space leem. A proporção é constante, e a correção também.
Como vincar as dobras sem roda de vinco?
Na Cameo 5 e 5 Plus, a ferramenta de relevo Tipo C vai no segundo porta-ferramentas. A Portrait 4 não tem segundo porta-ferramentas: usa-se meio corte ou um traço perfurado bem fechado. Em todos os casos, valide o ajuste numa sobra antes da folha.
A tabela Ação por linha existe no Basic?
Sim. A página oficial de recursos da edição Basic indica que é possível cortar por cor de linha, por tipo de preenchimento ou por camada. Só a gestão de camadas como recurso de desenho exige a edição Designer.
O Studio corta minhas dobras em vez de vincar, por quê?
Porque as linhas de dobra têm a mesma cor de traço dos contornos. O Studio agrupa por cor: se está tudo preto, tudo vira uma única ação. Recolora as dobras no Inkscape antes de importar.
Posso cortar direto o PDF da folha?
Não de forma útil. O PDF é feito para impressão. Mesmo aberto numa edição que o aceite, os contornos precisam ser refeitos à mão, e o resultado é aproximado justamente onde a montagem pede o milímetro.
Que tamanho de folha passa na minha máquina?
Uma folha A4 passa em todas as Silhouette atuais. Uma folha A3 exige pelo menos 30 cm de largura de corte, ou seja, uma Cameo e não uma Portrait. As medidas exatas estão na tabela acima.
O mesmo arquivo funciona na Cricut e na Silhouette?
O SVG sim, desde que esteja escrito em 72 pontos por polegada, como os nossos. Os dois programas vão lê-lo no mesmo tamanho. O que muda é a forma de atribuir as operações e o fato de uma Silhouette Basic não abrir esse SVG.
O que a conversão não faz
Converter um arquivo não torna um modelo mais fácil. A máquina corta, vinca e numera; ela não dobra, não cola e não salva uma folha impressa na escala errada. Num modelo de cinquenta peças ela economiza as três ou quatro horas de tesoura, não as horas de montagem.
Também não substitui um bom arquivo de partida. Um molde cujas peças não fecham geometricamente não vai fechar melhor depois do corte automático. É por isso que partimos sempre do .pdo ou do DXF original, e nunca de um contorno redesenhado a partir de uma imagem.